Um clássico do cinema francês, dirigido por Alain Resnais. Encomendado por seus produtores para ser um filme com uma atriz francesa e um ator japonês, sobre a bomba atômica. Depois de tentar produzir um documentário convencional, o diretor francês desiste. Pede a Marguerite Duras para escrever um roteiro. E então ela cria uma história de amor entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês, tendo como pano de fundo a cidade de Hiroshima, no fim dos anos 50.
Segundo Duras, é um longo diálogo entre os dois amantes. Casados, eles vivem um amor impossível. Um gesto do arquiteto, em repouso, após a noite de amor, desencadeia nela a lembrança de um outro amor impossível. Durante a ocupação francesa, a mulher viveu um romance com um soldado alemão. O soldado morre e ela quase enlouquece. Ela se recupera, se casa e até conhecer o japonês mantém a dor em segredo.
Precursor da Nouvelle Vaugue, o filme mistura cinema e literatura (Resnais pedia a Duras para escrever um roteiro literário), passado e presente sem o recurso de flashback. As cenas "documentais" sobre a bomba em Hiroshima, no início do filme, são dramáticas.
Hiroshima mon amour é, antes de tudo uma subversão, de Resnais, que ludibriou os produtores para fazer cinema de autor. Duras deslocou o tom impessoal do discurso histórico para a voz intimista. Tem-se, então, em primeiro plano, a narração da desordem interior da protagonista feminina. Os temas da memória e do esquecimento tomam o lugar do discurso histórico. É assim que as vozes anônimas de uma mulher qualquer e de um homem qualquer se tornam as vozes de milhares de anônimos que tiveram histórias esquecidas ou acobertadas pela voz impessoal do discurso histórico. Fazer um filme "literário"é isto: abrir espaço para o poético, aquilo que não servirá para nada e a nada. Hiroshima mon amour não funciona como peça de propaganda política, é só uma história de amor.

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