Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO

O filme do cineasta chinês Hou Hsiao Hsien é um tributo a "O Balão Verrnelho", do francês  Albert Lamorisse, ganhador da Palma de Ouro de  Cannes, em 1956. Ambas as histórias estão centradas em crianças. A do chinês relata o cotidiano de Simon, um menino de 7 anos, que tem o balão como companhia. Sua mãe, Susanne (Juliette Binoche),  vocalizadora de teatro de bonecos,  contrata uma babá, a estudante de cinema Song para cuidar do filho. Esta, aos poucos, percebe a vida tumultuada de Susanne e a solidão de Simon.
O  balão do filme chinês não tem vida própria, como no  que o inspirou. No original representa a imaginação fluida e a liberdade da criança. Em "A Viagem do Balão Vermelho", entretanto, é a imagem de uma infância aprisionada. Cercado por adultos, Simon nunca é deixado só, embora esteja sempre solitário. Não há conexão entre a criança e sua imaginação - na metrópole  não há liberdade para ela, apenas passatempos.  A ambientação das cenas no  interior do pequeno apartamento alude a  esta redução de espaço imaginativo. Sem tempo, sem espaço, a criança perde o contato com a infância. Apenas a babá chinesa percebe sua solidão, mas tudo que pode fazer é transformar a criança em protagonista de seu filme. Não se pode deixar de sentir uma ponta de melancolia pela transformação do conceito da solidão na infância. Em Lamorisse a solidão é o espaço em que a criança  desenvolve sua imaginação, a liberdade de espírito, e ela é penalizada pela distração. Em  Hsien é melancolia, já que a única fantasia permitida é jogar videogame. As distrações são controladas.  A babá, com a câmera de vídeo, sinalizará outro caminho. O filme mostra a contemporaneidade fragmentada, onde a  infância não é mais um tempo de experiência, em que brincando, a criança descobre o mundo  e o conhece. Mas sim, um tempo controlado, em que  o crescimento é dirigido para a frente e não para a  imaginação. São imagens de uma época partida, em que ser criança se tornou proibitivo. O fim do filme, entretanto, indica a esperança de a criança reconhecer sua história.

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